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O Brasil pode ganhar dinheiro na próxima crise

Economista diz que o país conta com vantagens para enfrentar os desafios do clima e da escassez de alimentos

Direto de 2001 a 2005 do Banco Mundial no Brasil e atual diretor-geral do Independent Evaluation Group, braço responsável pela avaliação de projetos da mesma entidade, o economista indiano Vinod Thomas diz que, além de financeira, a natureza das próximas crises a atingir a economia mundial será ambiental. Nesse quesito, segundo ele, o Brasil leva vantagens sobre os demais países e pode se beneficiar.

(Reportagem exclusiva da Revista Exame)

1) Quais são os desafios para que o Brasil mantenha seu crescimento nos próximos anos?
Há evidências de que já estamos atravessando, simultaneamente com a financeira, outras duas crises mundiais: a de alimentos e a do aquecimento global. Se souber aproveitar suas vantagens naturais, o Brasil pode enfrentá-las com sucesso.

2) Quais são as vantagens do Brasil?
Ainda há espaços para aumentar a produção agrícola do país de maneira sustentável e potencial para desenvolver mais fontes de energias renováveis, como a hidroelétrica e a de biocombustíveis. Essas medidas também representam oportunidade de ganhar dinheiro com essas crises.

3) Os países estão encarando seriamente a ameaça ambiental ou a ênfase está só na crise financeira?
A maioria das economias ainda não se deu conta da urgência dessa questão e lida com a crise financeira segundo os antigos paradigmas, que mandam encorajar o aumento do consumo de tudo. Da forma como é hoje, esse aumento de consumo agrava as outras duas crises.

4) O que deveria ser feito para evitar o agravamento das outras duas?
Essas crises são como um dragão de três cabeças: as três precisam ser atacadas simultaneamente porque uma alimenta e as outras fortalece. Sobretudo os países mais ricos precisam diminuir as emissões de carbono, reduzindo o consumo e melhorando a eficiência energética de suas indústrias.

5) O Banco Mundial, como financiador de projetos, está exigindo mais compromissos com essas questões?
Sim. Nos últimos dois anos, o Banco Mundial desenbolsou 80,6 bilhões de Dólares para projetos de países em desenvolvimento, mais do que o FMI ou qualquer outra entidade. Isso nos dá oportunidade de recompensar projetos que enfatizam a qualidade sobre a quantidade de crescimento econômico.

6) O senhor morou no Brasil até 2005 e escreveu um livro sobre a agenda de desafios socioeconômicos. O que mudou desde então?
 O país está avançando na distribuição de renda, e as regiões mais pobres estão crescendo mais do que as mais ricas. Hoje eu enfatizaria ainda mais a necessidade de permitir o crescimento nessas camadas mais pobres e investir na educação.

7) Como esse crescimento pode ser estimulado?
É preciso desenvolver mais as linhas de microcrédito e melhorar o ambiente de negócios para pequenas e médias empresas, incentivando o empreendedorismo sustentável. A exemplo do que foi na Coreia do Sul, é preciso aumentar os investimentos privados na educação.

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