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Teorias da Administração: Teorias Iniciais (Parte 1)

Acadêmico: Teorias da Administração

Fonte: Antecedentes Históricos da Administração, Administração Científica de Frederick Winslow Taylor e Administração Clássica de Henri Fayol, ambos fragmentos de "Introdução à teoria da Administração" (Chiavenato). 

O trabalho da administração existe desde a história da humanidade, porém a administração é recente. Desde seus primórdios, ela se desenvolveu lentamente, mas só após o século XX é que ela surgiu e apresentou um desenvolvimento de notável força e inovação. Hoje a sociedade é movida por organizações, já no final do século XIX, as organizações eram poucas e pequenas. A administração teve suas primeiras definições a partir dos pensamentos de filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles. Muitos princípios da administração surgiram por meio de pensamentos filosóficos da época. Porém, a filosofia antiga preocupava-se muito com as questões organizacionais, o que deixa de ser objeto de preocupação da filosofia moderna. A administração foi influenciada pela filosofia desde os tempos da antiguidade. Sócrates expõe seu ponto de vista da administração como uma habilidade pessoal separada do conhecimento técnico e da experiência. Platão analisou os problemas sociais e políticos decorrentes do desenvolvimento social e cultural do povo grego e expôs em sua obra “A República”, a forma democrática de governo e de administração dos negócios públicos. Aristóteles em seu livro “Política” distingue as três formas de administração pública:

  1. Monarquia ou Governo de apenas um – Tirania
  2. Aristocracia ou Governo de uma elite – Oligarquia
  3. Democracia ou Governo do povo – Anarquia
   No período em que a filosofia voltou-se para uma variedade de preocupações distanciadas dos problemas administrativos, Francis Bacon mostra a preocupação prática de se separar experimentalmente o que é essencial do que é acidental ou acessório – Administração como princípio da prevalência do principal sobre o acessório. Já René Descartes, na filosofia, descreve seu método filosófico denominado método cartesiano, cujos princípios são:

  1. Princípio da dúvida sistemática ou da evidência: Não aceitar como verdadeira coisa alguma enquanto não se souber com evidência aquilo que é realmente verdadeiro.
  2. Princípio da análise ou de decomposição: Dividir e decompor cada dificuldade ou problema em tantas partes, quantas sejam possíveis e necessárias a sua adequação e solução, e resolvê-las cada uma, separadamente.
  3. Princípio da síntese ou da composição: Conduzir ordenadamente nossos pensamentos e nosso raciocínio, dos fáceis e simples, gradualmente para os difíceis.
  4. Princípio da enumeração ou da verificação: Recontagens, verificações e revisões tão gerais que se fique seguro de nada haver omitido ou deixado à parte.
Hobbes defende o governo alegando que em sua ausência, os indivíduos tendem a viver em guerras e conflitos para obter meios de subsistência. Jean-Jacques Rousseau desenvolveu a teoria do contrato social, um acordo entre ambos de uma sociedade pelo qual reconhecem a autoridade igual sobre todos de um regime político, governante ou de um conjunto de regras. Para ele, o homem é bom e afável e a vida em sociedade o corrompe. Karl Marx e Friedrich Engels dizem que o poder político e do estado nada mais é do que o fruto da dominação econômica do homem pelo homem. O estado vem a ser uma ordem coativa imposta por uma classe social exploradora.

As normas administrativas e os princípios da organização pública foram lentamente se transferindo para a igreja católica e organizações militares. Ao longo dos séculos, a igreja católica estruturou sua organização de forma simples e eficiente, de tal maneira que sua organização mundial pode operar sob comando de apenas uma pessoa, o Papa. Essa estrutura da igreja católica serviu de exemplo para várias outras organizações.

A organização militar influenciou o aparecimento das teorias da administração. A organização linear, o princípio da unidade de comando, a escala hierárquica, são todos aspectos típicos utilizados nas organizações militares. Com as guerras de maior alcance e âmbito continental, houve a centralização do comando e descentralização da execução. Outra contribuição foi o princípio de direção que preceitua que todo soldado deve saber perfeitamente o que se espera dele e o que ele deve fazer. Assim, surge o pensamento estratégico e a necessidade de disciplina e planejamento, acreditando-se que o incerto deveria ser esperado, mas o seu planejamento deviria reduzir o seu impacto.

A invenção da maquina a vapor fez surgir uma nova concepção de trabalho, que mudou toda a estrutura social e comercial da época, chamada Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra e dividida em duas fases:
1780 a 1860: 1ª Revolução Industrial ou Revolução do Carvão e do Ferro
1860 a 1914: 2ª Revolução Industrial ou Revolução do Aço e da Eletricidade

A revolução industrial surgiu como uma bola de neve em aceleração crescente, passando por quatro fases:
1ª fase: Mecanização da indústria e da agricultura
2ª fase: Aplicação da força motriz à indústria
3ª fase: Desenvolvimento do sistema fabril
4ª fase: Aceleramento dos transportes e das comunicações

A segunda parte da revolução industrial teve como característica a substituição do ferro pelo aço; substituição do vapor pela eletricidade e derivados do petróleo como fonte de energia; maquinaria automática e especialização do trabalhador; domínio da indústria pela ciência; transformações radicais nos transportes e nas comunicações; organização capitalista; expansão industrial; etc. A revolução industrial decorreu da necessidade dos empresários de atender a demanda em expansão. A administração deve tão somente à revolução industrial o conceito de organização da empresa moderna, devido ao avanço tecnológico e a descoberta de novas formas de energia, mudando o modo artesanal por um industrial de produção.

Após o século XVII, várias teorias econômicas baseadas em dados empíricos surgiram para explicar os fundamentos empresariais. Essa reação para o liberalismo culmina com a ocorrência da revolução francesa. De acordo com o liberalismo, a ordem natural das coisas é a ordem mais perfeita. A livre concorrência é o postulado principal do liberalismo econômico. Adam Smith funda a economia clássica, com ponto principal voltado para a competição. Para ele, o mercado funciona espontaneamente garantindo a alocação mais eficiente dos recursos sem haver excesso de lucros. Assim, defende que o papel econômico do governo é a intervenção na economia quando o mercado não existir ou deixar de funcionar em condições satisfatórias - sem competições livres. A partir daí, Adam Smith observa a necessidade de racionalizar a produção (especialização e divisão do trabalho).

A partir da segunda metade do século XIX, o liberalismo econômico perde sua influência enquanto o capitalismo cresce surpreendentemente, aparecendo assim, o “novo capitalismo”, em produções em larga escala de maquinarias e mão-de-obra, criando problemas de organização de trabalho, concorrência econômica, padrão de vida, entre outros. Karl Marx e Friedrich Engels concluíram na obra “Manifesto Comunista”, que a luta de classes é o motor da história, e que o capitalismo, é um modo de produção transitório e sujeito à crises econômicas cíclicas devido a suas contradições internas e constitui uma etapa do desenvolvimento da sociedade em direção ao modo de produção socialista e ao comunista. O socialismo e o sindicalismo obrigam o capitalismo a aperfeiçoar todos os fatores de produção envolvidos e sua adequada remuneração. Dessa forma, surgem os primeiros esforços no sentido de racionalização do trabalho como um todo.

No século XIX, inúmeras mudanças e inovações ocorreram no cenário empresarial, consolidando condições necessárias para o surgimento da “Teoria Administrativa”. As ferrovias nos Estados Unidos permitiram o desbravamento do território, provocando o aumento da urbanização, e assim, as novas necessidades como habitação, alimentação, roupa, luz e aquecimento, o que fez aumentar as empresas de consumo direto. Grande parte eram empresas de família onde um membro exercia inúmeras funções. Logo após, surgem os gerentes profissionais, os primeiros organizadores que se preocupavam mais com a fábrica do que com as vendas. Na década de 1880, que surgem as organizações próprias de vendas (marketing) assumindo a organização do tipo funcional, onde se preocupam com os meios de redução de custos. Entre 1880 e 1890, os meios para redução de custos diminuíram e as empresas passaram a procurar novos mercados através da diversificação de produtos. Com a queda da velha estrutura funcional, surge a “empresa integrada e multidepartamental”, aparecem as holding’s(alianças e sociedades) e o mercado de distribuições se torna mais acessível ao cliente final. Em seguida inúmeras fusões ocorreram como meio de utilização racional das fábricas e redução de preços. Devido a essas fusões, começaram a aparecer os primeiros oligopólios.


Chegamos ao ponto onde o empreendedorismo se depara com a falta de organização, e entre 1860 e 1900, aconteceu um enorme desenvolvimento tecnológico e atentou-se para o valor da pesquisa. Todos esses fatores impulsionaram a busca pelas bases científicas que melhorariam a prática empresarial e daria espaço para o surgimento da “Teoria Administrativa”.

Continua...

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