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Teorias da Administração: Teorias Iniciais (Parte 2)

Continuação de Teorias da Administração...
(Vide postagem anterior)


 Administração Científica

A abordagem básica da Escola da Administração Científica é a ênfase colocada nas tarefas. O termo Administração Científica é devido às tentativas de aplicar os métodos da ciência aos problemas da Administração, a fim de alcançar uma eficiência industrial, que são aplicados, principalmente, através da observação e mensuração. Essa escola foi iniciada por Frederick Winslow Taylor, que provocou uma verdadeira revolução no pensamento administrativo e no mundo industrial de sua época. Sua principal preocupação foi a eliminação do desperdício e das perdas sofridas pelas industrias, e elevar os níveis de produtividade por meio da aplicação de métodos e técnicas da engenharia industrial. Taylor iniciou suas experiências através do trabalho do operário progredindo até chegar a engenheiro. Devido aos conflitos entre patrões e empregados, Taylor começou a estudar o problema de produção para tentar uma solução que atendesse a ambos. Seu primeiro período corresponde à época de publicação de seu livro Shop Management onde se preocupa exclusivamente com as técnicas de racionalização do trabalho do operário, através do estudo de tempos e movimentos.

Através de seu livro Shop Management, Taylor diz:
1. O objetivo de uma boa Administração era pagar salários altos e ter custos unitários de produção.
2. Para realizar tal objetivo, a Administração deve aplicar métodos científicos de pesquisa e experimentos para formular princípios e estabelecer processos padronizados que permitam o controle das operações fabris.
3. Os empregados devem ser cientificamente colocados em seus postos com materiais e condições de trabalho adequados para que as normas possam ser cumpridas.
4. Os empregados devem ser cientificamente treinados para aperfeiçoar suas aptidões e executar uma tarefa para que a produção normal seja cumprida.
5. A administração precisa criar uma atmosfera de intima e cordial cooperação com os trabalhadores, para garantir a permanência desse ambiente psicológico.


Frederick W. Taylor

O segundo período de Taylor corresponde à época da publicação de seu livro Princípios da Administração Científica (1911), quando concluiu que a racionalização do trabalho operário deveria ser logicamente acompanhada de uma estruturação geral da empresa e que tornasse coerente a aplicação dos seus princípios. Nesse segundo período, desenvolveu os seus estudos sobre a Administração geral, a qual denominou Administração Científica, sem deixar sua preocupação com relação à tarefa do operário. Para Taylor, três males padeciam as indústrias de sua época:

1. Vadiagem sistemática por parte dos operários, que reduziam propositadamente a produção a cerca de um terço da que seria normal, para evitar a redução das tarifas de salários pela gerência. Há três causas determinantes da vadiagem no trabalho, o engano disseminado entre os trabalhadores, o sistema defeituoso de administração que força os trabalhadores à ociosidade no trabalho e os métodos empíricos ineficientes utilizados nas empresas. 
2. Desconhecimento, pela gerência, das rotinas de trabalho e do tempo necessário para sua realização.
3. Falta de uniformidade das técnicas ou métodos de trabalho.

Taylor defendia que a organização e a administração deveriam ser estudadas e tratadas cientificamente e não empiricamente. Para ele, administração científica é uma combinação de ciência no lugar do empirismo, e os elementos para sua aplicação são:
  • Estudo de tempo e padrões de produção; 
  • Supervisão funcional; 
  • Padronização de maquinas, ferramentas, instrumentos e materiais; 
  • Planejamento das tarefas e dos cargos; 
  • Princípio da exceção; 
  • Prêmios de produção pela execução eficiente das tarefas; 
  • Definição da rotina de trabalho. 
Portanto, o principal objetivo da Administração é assegurar o máximo de prosperidade ao patrão e, ao mesmo tempo, o máximo de prosperidade ao empregado. A tentativa de substituir métodos empíricos e rudimentares pelos métodos científicos em todos os ofícios recebeu o nome de Organização Racional do Trabalho (ORT). Para Taylor, o operário não tem capacidade, nem formação, nem meios para analisar cientificamente o seu trabalho e estabelecer racionalmente qual o método ou processo mais eficiente. Geralmente, o supervisor comum deixava ao arbítrio de cada operário a escolha do método ou processo para executar o seu trabalho, para encorajar sua iniciativa. Entretanto, com a Administração Cientifica ocorre uma repartição de responsabilidades, onde a administração (gerência) fica com o planejamento (estudo minucioso do trabalho do operário e o estabelecimento do método de trabalho) e a supervisão (assistência contínua ao trabalhador durante a produção), e o trabalhador fica com a execução do trabalho.

A organização racional do trabalho (ORT) se fundamenta na Analise do trabalho e estudo dos tempos e movimentos, no estudo da fadiga humana, na divisão do trabalho e especialização do operário, no desenho de cargos e tarefas, nos incentivos salariais e prêmios de produção, no conceito homo economicus, nas condições ambientais de trabalho, na padronização de métodos e de máquinas, e na supervisão funcional. A preocupação de racionalizar, padronizar e prescrever normas de conduta ao administrador levou os engenheiros da administração científica a pensar que tais princípios pudessem ser aplicados a todas as situações possíveis. Dentre a profusão de princípios defendidos pelos autores da Administração Científica, os mais importantes são os Princípios da Administração Científica de Taylor, os Princípios Implícitos de Administração científica também de Taylor, os Princípios de Eficiência de Emerson, os princípios básicos de Ford e o princípio da Execução de Taylor.

A conseqüência imediata da Administração Científica foi uma redução revolucionária no custo dos bens manufaturados. Aquilo que antes era luxo acessível somente aos ricos tornou-se rapidamente disponível para todas as classes. Além disso, ela também modificou toda a estrutura e incrementou a composição da força de trabalho. Porém, a obra de Taylor e seus seguidores é susceptível de críticas. A mentalidade reinante e os preconceitos, tanto dos dirigentes como dos empregados, a falta de conhecimentos sobre a administração, a precária experiência industrial e empresarial não apresentavam condições propícias para a formulação de hipóteses nem o suporte adequado para a elaboração de conceitos rigorosos. As críticas sobre sua abordagem se referem ao fato dela ser muito mecanicista, de superespecializar o operário, de ter uma visão microscópica do homem, não ter nenhuma comprovação científica, sua abordagem organizacional ser incompleta, prescritiva e normativa, e ainda ser de sistema fechado e seu campo de aplicação ser limitado. Entretanto, essas limitações e restrições não apagam o fato de que a Administração científica foi o primeiro passo na busca de uma teoria administrativa, e ainda, um passo pioneiro e irreversível.

Teoria Clássica da Administração

A Teoria Clássica da Administração surgiu em 1916 na França, espraiando-se rapidamente pela Europa. Se a Administração Científica se caracterizava pela ênfase na tarefa a ser realizada pelo operário, a Teoria Clássica se caracterizava pela ênfase na estrutura que a organização deveria possuir para ser eficiente. Ambas as teorias, tanto a clássica quanto a científica, tinham o mesmo objetivo: a busca pela eficiência das organizações. Para a Administração Científica, essa eficiência seria alcançada por meio da racionalização do trabalho e, na Teoria Clássica, partia-se de todo organizacional e da sua estrutura para garantir eficiência a todas as partes envolvida. Henri Fayol, engenheiro francês, fundador da Teoria clássica da Administração, partiu de uma abordagem sintética, global e universal da empresa, inaugurando uma abordagem anatômica e estrutural que rapidamente suplantou a abordagem analítica e concreta de Taylor. 

Henri Fayol defendia que todas as empresas apresentavam funções técnicas, comerciais, financeiras, de segurança, contábeis e administrativas. Porém, a visão que Fayol tinha sobre as funções básicas está ultrapassada. Atualmente elas recebem outros nomes mais específicos. Fayol também definiu as funções do administrador, como prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. Assim, estabeleceu que a previsão, organização, comando, coordenação e o controle são atividades administrativas essenciais para que um administrador alcance a eficiência. 

Em relação à proporcionalidade das funções administrativas, Fayol alega que a função administrativa não se concentra exclusivamente no topo da empresa, nem é privilégio dos diretores, mas é distribuída proporcionalmente entre todos os níveis hierárquicos. Para Fayol, a Administração é um todo do qual a organização é uma de suas partes. A organização abrange somente o estabelecimento da estrutura e da forma, sendo, portanto, estática e limitada. A partir daí, a palavra organização passa a ser usada com dois significados diferentes. Um como uma entidade social na qual as pessoas interagem entre si para alcançar objetivos específicos, e outro como função administrativa e parte do processo administrativo na qual organização se torna sinônimo de organizar, estruturar e alocar os recursos e os órgãos incumbidos de sua administração e estabelecer as atribuições de cada um deles e as relações entre eles.


A Administração, como ciência, deve ser basear em leis ou princípios. Assim, Fayol tentou definir os “princípios gerais” de Administração, e tais princípios são maleáveis e adaptam-se a qualquer circunstância, tempo ou lugar. Segundo Fayol, os 14 Princípios Gerais de Administração são:

· Divisão do trabalho;
· Autoridade e responsabilidade;
· Disciplina;
· Unidade de comando;
· Unidade de direção;
· Subordinação dos interesses individuais aos gerais;
· Remuneração do pessoal
· Centralização
· Cadeia escalar
· Ordem
· Equidade
· Estabilidade do pessoal
· Iniciativa
· Espírito de equipe

A teoria clássica caracteriza-se por seu enfoque prescritivo e normativo: prescreve quais os elementos da administração e quais os princípios gerais que o administrador deve adotar em sua atividade. Esse enfoque prescritivo e normativo sobre como o administrador deve proceder no trabalho constitui o filão da Teoria Clássica. O ponto de partida dos autores da Teoria Clássica é o estudo científico da Administração, substituindo o empirismo e a improvisação por técnicas científicas. Pretendiam-se elaborar uma Ciência da Administração. Fayol afirma a necessidade de um ensino organizado e metódico da Administração, de caráter geral para formar administradores, a partir de suas aptidões e qualidades pessoais.

A estrutura organizacional constitui uma linha de autoridade que interliga as posições da organização e define quem se subordina a quem. Essa cadeia se baseia no princípio da unidade de comando, que significa que cada empregado deve se reportar a um só superior. Para a Teoria Clássica, a estrutura organizacional é analisada de cima para baixo e do todo para as partes, ao contrário da Abordagem Científica. A organização se caracterizava por uma divisão de trabalho claramente definida. Essa divisão conduz à especialização e à diferenciação das tarefas, ou seja, à heterogeneidade. A idéia básica era a de que as organizações com maior divisão de trabalho seriam mais eficientes do que aquelas com poucas divisões de trabalho. Para a Teoria Clássica, a divisão do trabalho pode dar-se em duas direções, verticalmente, onde toda organização deve haver uma escala hierárquica de autoridade onde há autoridade de um superior sobre um superior, e horizontalmente, onde em um mesmo nível hierárquico, cada departamento ou seção passa a ser responsável por uma atividade específica própria.

Fayol incluíra a coordenação como um dos elementos da Administração. Para ele, a coordenação é a reunião, a unificação e a harmonização de toda a atividade e esforço. Ela deve ser baseada em uma real comunhão de interesses. A pressuposição básica era de que quanto maior a organização e quanto maior a divisão do trabalho, maior será a necessidade de coordenação, para assegurar a eficiência da organização como um todo. Fayol preferia pela organização linear, que constitui um dos tipos mais simples de organização, onde ela se baseia nos princípios de unidade de comando ou supervisão única, unidade de direção, centralização de autoridade e cadeia escalar. A organização linear é um tipo de estrutura organizacional que apresenta uma forma piramidal. Nela, os órgãos que a compõem, seguem rigidamente o principio escalar, porém, tornam-se necessários outros órgãos prestadores de serviços especializados denominados de órgãos de staff ou de acessória. A autoridade de staff é mais estreita e inclui o direito de aconselhar, recomendar e orientar. Essa autoridade é uma relação de comunicação, onde os especialistas de staff aconselham os gerentes em suas áreas de especialidade.

Urwick defendia que os elementos da administração, ou seja, as funções do administrador são: a investigação, previsão, planejamento, organização, coordenação, comando e controle. Para Luther Gulick, defendia que o planejamento, organização, acessória, direção, coordenação, informação e orçamento eram os elementos da Administração. Fayol defendeu os 14 princípios de Administração, e outros autores também se propuseram a criar e Urwick defendia 4 princípios: Princípio da especialização, de autoridade, da amplitude administrativa, da definição.

Entretanto, há varias críticas à Teoria Clássica. Todas as teorias posteriores se preocuparam em apontar as falhas da abordagem clássica. As principais críticas são que ela é uma abordagem extremamente simplificada da organização formal, não há comprovação científica para confirmar as afirmações dos autores clássicos, que os autores clássicos se preocupam com a apresentação racional e lógica das suas proposições, sacrificando a clareza das suas idéias, foi considerada teoria da maquina pelo fato de considerar a organização sob o prisma do comportamento mecânico de uma maquina, ela preocupou somente com a organização formal, descuidando-se da informal, sendo assim, considerada uma abordagem incompleta da organização e ainda, de ser uma abordagem de sistema fechado, composta por poucas variáveis perfeitamente conhecidas e previsíveis de alguns aspectos que podem ser manipulados por meio de princípios gerais e universais de Administração.

A abordagem normativa e prescritiva da Teoria Clássica se fundamenta em princípios gerais de Administração, uma espécie de receituário de como o administrador deve proceder em todas as situações organizacionais. Contudo, as várias críticas atribuídas à Teoria Clássica são válidas, porém, elas não empanam o fato de que a ela devemos as bases de moderna teoria administrativa.

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