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Como conquistar um investidor anjo

Paul Bragiel, fundador da I/O Ventures, dá dicas a empreendedores que buscam fundos para financiar seu negócio




Menos é mais quando se trata de vender sua ideia de negócio. É o que garante o investidor anjo Paul Bragiel, fundador da I/O Ventures, que investe em startups de tecnologia do Vale do Silício. Segundo o especialista, que já fundou três empresas de internet de sucesso e agora investe em negócios em estágio inicial de desenvolvimento, o segredo para conquistar a atenção dos potenciais investidores é ser ágil e objetivo ao apresentar seu projeto. Durante um evento organizado pelo Centro de Empreendedorismo da FGV-EAESP, em São Paulo, o investidor – que quer atrair empreendedores brasileiros para o Vale do Silício – deu dicas para quem busca recursos para financiar seu negócio. Confira.

EXAME.com: Qual é o caminho para atrair a atenção de potenciais investidores para o seu negócio?
Paul Bragiel: O importante é ter acesso a pessoas. Se você mandar um e-mail direto para esses caras, o risco de ir parar na caixa de lixo é grande. Você tem que trabalhar duro para conseguir acesso a essas pessoas. Não tente a porta da frente, tente a porta de trás. É importante manter também um networking com outros empreendedores. De repente ele apresentou a própria ideia três meses atrás a um investidor e pode te colocar em contato com ele. Outro aspecto importante é manter um contato com as pessoas para quem você apresentou sua ideia, mesmo que eles tenham dito não para o seu projeto. Eles podem querer investir na sua próxima empresa, ou na próxima rodada de investimentos ou até mudar de ideia em dois meses e resolver investir no seu projeto. Na I/O nós trabalhamos com mais de 40 fundos de venture capital do Vale do Silício e muitos desses caras disseram não para mim. Mas eu mantenho contato com todos eles porque amanhã posso precisar da ajuda deles, ou uma das minhas empresas pode precisar de investimento ou algum amigo pode precisar de um contato. 

EXAME.com: Qual é a melhor forma para apresentar o seu negócio ao potencial investidor?
Bragiel: O importante é não arrastar a apresentação. Alguns pitches apresentações que vimos aqui no Brasil duraram um pouco demais. Você perde um pouco da sua vantagem quando fala de maneira muito detalhada da sua ideia. Vá lá, apresente sua ideia da maneira mais rápida possível e quanto mais rápido você chegar na parte mais divertida - das perguntas e respostas - melhor. É aí que o investidor aprende mais sobre o negócio que durante a apresentação em si.

EXAME.com: O que vocês buscam na hora de avaliar um potencial investimento?
Bragiel: Gostamos de times técnicos, portanto é importante que pelo menos um dos fundadores seja um programador ou engenheiro para que o negócio possa avançar tecnicamente. Também buscamos pessoas motivadas – quando vemos alguém que não está afim de fazer muita coisa, que acha que já “nasceu” empreendedor, torcemos o nariz. Também nos interessa ver como a dinâmica do time funciona, como as pessoas trabalham juntas, há quanto tempo elas se conhecem, porque você tem que ter certeza de que se as coisas ficarem difíceis essas pessoas vão se apoiar e não desmoronar totalmente. Depois do time, vem a ideia. A ideia pode até ser boa, mas se não for algo que me empolgue eu não vou investir. Tem que ser alo que me faça pensar: ‘talvez eu até entre para essa companhia, eu gostaria de trabalhar lá’. 

EXAME.com: A ideia vem por último nesta lista?
Bragiel: Sim, porque se não tem os outros três não adianta ter uma boa ideia. Você pode me dizer: ‘tenho uma grande ideia, vou fazer carros voadores’. Se eu te perguntar como você vai fazer isso e você não tiver resposta tudo vai por água abaixo. A execução é muito importante. O que determina o sucesso da empresa não é ter a grande ideia e construir a empresa de fato, contratar as pessoas certas, promover o produto, ir ao mercado, sujar as mãos.

EXAME.com: O investimento anjo é uma aposta de alto risco. O que o motivou a entrar nesta área?
Bragiel: Muitas vezes você coloca dinheiro e as chance de conseguir algum retorno é bem pequena. Nós colocamos dinheiro porque temos a oportunidade de trabalhar com jovens empreendedores e pessoas que realmente respeitamos. É inspirador. Você pega a energia que eles tem e traz para a sua vida, para a sua empresa e etc. Além disso, se a empresa dá certo, a taxa de retorno é muito alta. É um tiro no escuro e normalmente você não espera acertar, mas nós empreendedores somos otimistas por natureza, por isso acreditamos que estamos colocando dinheiro em empresas que podem ser realmente inovadoras e trazer valor para o mundo e para o seu bolso, claro. Também é uma forma de retribuir, porque muitos de nós no Vale do Silício recebemos dinheiro ou conselhos em algum momento quando abrimos nossos próprios negócios no passado.

EXAME.com: Qual é a vantagem de conviver em um ambiente com alta concentração de empreendedores, como Vale do Silício?
Bragiel: Comandar uma empresa é solitário. Você é o chefe, você não pode reclamar para o seu funcionário que as coisas estão difíceis. É importante estar perto de outros empreendedores para trocar ideias, dividir experiências e aprender com os outros. Algumas das lições mais importantes que eu aprendi foram com pessoas da minha idade, que tinham negócios parecidos com os meus. 

EXAME.com: Qual o interesse da I/O Ventures no Brasil?
Bragiel: Estamos convidado empresários brasileiros a aplicar para o nosso programa. Acredito que os grande negócios de internet do futuro virão de fora dos Estados Unidos. Queremos trabalhar com os melhores empreendedores, não interessa de onde eles venham. Com a gente, você pode entrar pela porta da frente. Nosso processo de seleção é bem democrático. As inscrições podem ser feitas diretamente no nosso site. Nosso programa tem duração de seis meses e já estamos selecionando as empresas que vamos apoiar no início do próximo ano.

(fonte: EXAME)

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