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Libertadores de 1998 faz paixão de vascaíno pelo futebol virar negócio


Wagner Tadeu Soares fabrica bandeiras para torcidas de todo o Brasil


Principal conquista da história do Vasco, a Libertadores de 1998 também é sinônimo de mudança radical na vida de um torcedor. Para abrilhantar a festa em São Januário no mata-mata da competição, Wagner Tadeu Soares se juntou aos amigos para preparar bandeiras que seriam estendidas nas arquibancadas. Com o sucesso da produção, o carioca enxergou ali uma oportunidade profissional, abandonou o emprego e transformou a paixão pelo futebol em ganha pão.


A torcida organizada à qual Wagner, então com 40 anos, pertencia havia encomendado 20 bandeiras para o octogonal final da Taça Libertadores daquele ano. O contratado, porém, avisou que não daria conta da encomenda em tempo, e os torcedores resolveram colocar a mão na massa. O resultado agradou a todos, e o retorno financeiro, a Wagner. Foi aí que ele decidiu deixar o emprego de representante de vendas da indústria farmacêutica para se dedicar exclusivamente à fabricação de bandeiras.



- Já tinha uma boa noção (de desenho), fui me aperfeiçoando e, como tinha amigos em todos os estados fui divulgando. Um passou o contato para o outro, e abri um leque. É um trabalho árduo, tem que correr contra o tempo. Sempre que dá, fracionamos as tarefas. Um desenha em cima, o outro costura embaixo...
O negócio se expandiu rapidamente no Rio de Janeiro, e as encomendas vindas de São Paulo, Minas Gerais e Bahia tornaram-se frequentes. Com pedidos de faixas e bandeiras cada vez  maiores, precisou sair do quintal de casa para um local em que pudesse lidar com tecidos de grandes dimensões. Um acordo com um clube do bairro de Irajá, bairro do Rio de Janeiro, o permite usar a quadra esportiva para a realização do trabalho.

Atualmente, Wagner concentra seus esforços na administração. Tem seis funcionários fixos e, em épocas de maior demanda, também contrata mão de obra temporária, dentre pintores, desenhistas e costureiras. Se o clima colaborar e facilitar a secagem da tinta, o número de encomendas aceitas aumenta, e até 200 bandeiras podem ser feitas em um único mês.
O ápice da produção ocorre próximo aos clássicos. Para o confronto entre Fluminense e Botafogo pelo returno do Brasileirão, uma das principais torcidas do Tricolor encomendou uma bandeira de 25 x 40 metros, altura da arquibancada do Engenhão. Já para o clássico paulista da 31ª rodada, entre Corinthians e Palmeiras, no Pacaembu, torcedores do Verdão compraram, em tamanho ampliado, a reprodução de uma foto histórica da primeira partida após a mudança do nome do clube, antes conhecido como Palestra Itália, no campeonato estadual de 1942.

Apesar do coração ser cruzmaltino, o empresário garante que segue as leis de mercado e dá preferência para quem contratar seus serviços primeiro, independentemente das cores da camisa.
- Sempre frequentei outras torcidas, mesmo sendo vascaíno. No futebol vale a zoação, a aposta entre amigos. Nos negócios, tenho profissionalismo. Se tem um jogo entre Vasco e Flamengo e as duas torcidas pedem, faço para as duas. Mas começo por quem chegar primeiro. Não uso o coração nessas horas.
Com boa clientela no mercado interno, Wagner espera ampliar a produção para eventos internacionais, para os quais os pedidos ainda são escassos. O carioca comemorou bastante a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2014 e 2016, respectivamente, pois as vê como uma oportunidade de crescer ainda mais.
- Agora vamos atrás das grandes empresas.

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