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Estudo sobre consumismo erótico em destaque

O "Comportamento do Consumidor" é uma das linhas de estudo de Marketing que visa o entendimento sobre as atitudes e comportamento de clientes e sua relação com produtos, empresas, marcas, etc. É um estudo focado no consumo e demandado pelas empresas para gerir melhor suas relações com seus consumidores. Existem diversas linhas de pesquisas dentro desse tema e atualmente uma pesquisa tem se destacado significamente nesse meio. Tal pesquisa foi desenvolvida pela Dra. Luciana Walter, em sua dissertação de doutorado no Instituto Coppead - Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da UFRJ - um dos maiores do país. Como professora recente da Universidade Federal de São João Del Rei, rapidamente tem conquistado seu espaço e admiração entre alunos e professores. 


Recentemente, sua tese foi destaque na edição do Jornal de grande circulação "O Globo". “Percebi que alguns colegas resistiram ao tema. O que indica que no universo acadêmico da Administração ainda existe muito tabu e preconceito. Há muito tempo a sexualidade é tema importante para a Sociologia, para a Antropologia, para a Psicologia e para a Medicina, mas parece que na Administração preferimos fingir que, enquanto consumidores, somos destituídos de sexualidade. Ou que a indústria erótica não existe ou não tem relevância econômica”.

A tese, intitulada “Consumo Erótico Feminino e Cultura Material”, teve inspiração nos estudos de Gilberto Freyre. Este que explica a formação da identidade sexual brasileira. “Tive a ideia de investigar o consumo erótico feminino. As práticas de marketing adotadas pela indústria para atrair e manter a clientela, além dos fenômenos culturais decorrentes do envolvimento de mulheres com produtos eróticos”, explica Luciana.

Apesar da resistência, a professora afirma a necessidade de se pesquisar cientificamente uma indústria cresce e ganha visibilidade e importância econômica, social e cultural. “Só em 2010, a indústria erótica e sensual brasileira movimentou cerca de R$1 bilhão, crescendo 17% em relação a 2009”. Luciana destaca na reportagem que cada vez mais se entende sexualidade como um aspecto cotidiano da vida contemporânea diretamente relacionado ao bem-estar.



Confira a reportagem na íntegra publicada no jornal “O Globo”de 19 de maio de 2012

Fonte: Caderno Ela, pág. 3
Erótica - Tese de doutorado mostra que homens e mulheres temem o vibrador
Por Bety Orsini


Luciana Walther, uma carioca de 39 anos, criada entre Leblon e Ipanema, está dando o que falar. Atualmente morando em Tiradentes (MG), ela está abalando as estruturas da Serra de São José com sua tese de doutorado sobre o consumo erótico feminino. Tudo começou quando, há alguns anos, visitando pela primeira vez uma butique erótica, ficou impressionada com um sex shop inteiramente destinado às mulheres. — Estudando a obra de Gilberto Freyre, que explica a formação da identidade sexual brasileira, tive a ideia de investigar esse consumo erótico feminino, as práticas de marketing adotadas pela indústria para atrair e manter a clientela, além dos fenômenos culturais decorrentes do envolvimento de mulheres com produtos eróticos — explica Luciana, professora do Departamento de Ciências Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de São João Del Rei. Da ideia para a prática foi um pulo. 

Durante quatro anos, ela entrevistou mulheres entre 21 e 59 anos, de classes sociais diferentes, no eixo Rio-São Paulo-Minas Gerais. A reação da comunidade acadêmica variou: — Muitos colegas compreenderam a necessidade de se pesquisar cientificamente uma indústria que vem crescendo em visibilidade e em importância econômica, social e cultural, e que vinha sendo negligenciada pela comunidade acadêmica de Administração. Só em 2010, a indústria erótica e sensual brasileira movimentou cerca de R$1 bilhão, crescendo 17% em relação a 2009. Eles pagam a conta Luciana destaca que cada vez mais se entende sexualidade como um aspecto cotidiano da vida contemporânea diretamente relacionado ao bem-estar. — Nosso entendimento de nós mesmos, de quem somos, inevitavelmente passa pela nossa sexualidade — analisa, lembrando que a cada 24 horas, acontecem cerca de 120 milhões de relações sexuais no mundo. Muitos colegas da autora da tese aplaudiram. Outros resistiram ao tema, o que indica que no universo acadêmico da Administração ainda existe muito tabu e preconceito. — Há muito tempo a sexualidade é tema importante para a Sociologia, para a Antropologia, para a Psicologia e para a Medicina. Mas parece que na Administração preferimos fingir que, enquanto consumidores, somos destituídos de sexualidade. Ou que a indústria erótica não existe ou não tem relevância econômica. Mas ela alerta que essa resistência não é restrita ao universo da Administração. — Na minha pesquisa, ouvi muitos relatos de consumidoras e vendedoras evidenciando uma resistência, tanto do homem quanto da mulher, ao consumo erótico feminino. 

O repúdio se dá principalmente pelo vibrador, não tanto pelos cosméticos eróticos, lingerie ou outros produtos. Homens e mulheres temem o vibrador por vários motivos: os mais mencionados são o medo da substituição e do vício — explica Luciana, que quer transformar a tese em livro. Para ela, não há definição para a nova consumidora de produtos eróticos. — Entrevistei mulheres com diferentes orientações sexuais e histórias de vida. Todas usam produtos eróticos para apimentar a relação. Algumas os utilizam também individualmente. O que pode ser identificado é que há mulheres de poder aquisitivo alto ou mediano, que compram em butiques eróticas sofisticadas, lojas de lingerie ou na internet. Mas há também mulheres com menos poder aquisitivo, que compram apenas cosméticos eróticos de consultoras de venda direta. Isso acontece muito em cidades do interior, onde consultoras da Natura e da Avon, por exemplo, incluem eróticos entre os produtos que oferecem à clientela. Tamanho é documento Ela afirma que os cosméticos eróticos caíram no gosto das mulheres das classes C e D que querem incrementar os relacionamentos. Isso porque eles são mais baratos e despertam menos preconceito do que os vibradores. — Também não se pode dizer que a consumidora de produtos eróticos é uma mulher completamente independente e livre. Ouvi relatos de mulheres que vão às butiques eróticas, têm dinheiro para pagar pelos produtos, mas ainda assim desejam que seus companheiros paguem a conta. Isso significa que, por mais independentes que elas sejam, ainda desejam a dominação masculina. 

Os relatos mais curiosos da pesquisa foram os que tratavam do descarte do objeto erótico. — Como se desfazer de um vibrador velho ou quebrado? Várias consumidoras contaram ter saído de carro para jogá-los em lixeiras públicas, longe de casa. Uma delas não teve coragem de descartar o seu sozinha, sem o marido — conta Luciana, lembrando que o primeiro sex shop foi criado, em 1962, pela alemã Beate Uhse. — Ela era piloto de avião, foi impedida de voar durante a Segunda Guerra e tornou-se consultora de venda direta, oferecendo produtos femininos às mulheres alemãs. A pesquisa mostra, ainda, que os vibradores são vistos por suas proprietárias como amantes ou mordomos. — Outro achado curioso diz respeito à personificação desses objetos. Nos relatos sobre descarte, vibradores inutilizados foram frequentemente chamados de “defuntos” ou “mortos”, colocados em sacos pretos e desovados. O que denota que, quando em uso, eles podem ser vistos como seres vivos. Recebem até apelidos, como James, Johnnie, Paulinho, Anthony e Barbie. Uma consumidora disse ter sido presenteada pelo marido com um vibrador para dupla penetração; o aparelho fazia o papel de uma terceira pessoa na relação do casal. Mas como a maioria dos homens reage ao carisma desses produtos salientes? — Relatos femininos descrevem homens resistentes ao consumo erótico feminino, resistência que parece ter a ver com a inclusão de um segundo pênis na relação, mesmo ele sendo artificial. Algumas mulheres disseram que seus companheiros não gostam que elas usem, sozinhas ou com eles, vibradores de formato realista e tamanho maior do que o deles.

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