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Competência: palavra-chave no mercado de trabalho atual

Por Joelma Cristina Santos

De acordo com as inúmeras definições presentes nos dicionários, a palavra “competência” pode ser entendida como o sinônimo de “capacidade” ou “aptidão”. No entanto, quem atua na área de Gestão de Pessoas, sabe que o seu significado vai além e pode ser desmembrado em alguns conceitos expressos pela seguinte fórmula: Competência = Conhecimento + Habilidade + Atitude. Alguns autores ainda incluem, nesta somatória, mais dois conceitos: Valores e Efetividade, formando a palavra “chave”, com as letras iniciais de cada um destes conceitos. Neste sentido, uma pessoa competente possui as informações necessárias (conhecimento) sobre certas atividades, sabe como aplicar esta teoria na prática (habilidade), é motivada e pró-ativa (atitude) na realização de tais atividades e age de acordo com princípios éticos (valores) a fim de resolver questões problemáticas, de forma eficiente (efetividade).



As maneiras mais comuns de se adquirir conhecimento e se tornar uma pessoa competente consistem (1) na formação acadêmica, nos cursos complementares realizados, nas palestras e congressos assistidos, entre outras atividades correlatas; e (2) na formação profissional, o que inclui as pequenas grandes coisas vivenciadas no dia a dia de trabalho ou em estágios acadêmicos bem feitos. Abrangem, por exemplo, o enfrentamento de dificuldades cotidianas presentes na realização de uma tarefa, o pertencimento a uma equipe ou o relacionamento positivo com pessoas diferentes, mas que atuam de forma coletiva em busca de soluções. De acordo com um estudo divulgado na Revista Você S/A, cerca de 70% a 90% das competências de uma pessoa são adquiridas durante atividades práticas que, embora não tenham o aprendizado como objetivo principal, acrescentam conhecimentos e aumentam a bagagem profissional.

Para quem tem mais formação/experiência acadêmica do que tempo de atuação no mercado de trabalho formal, esta informação pode soar preocupante, porém, a necessidade de se buscar conhecimento e aprofundamento teórico, seja em minicursos, palestras, workshops e outras atividades afins, continua sendo muito importante e nunca pode ser deixada de lado, afinal conhecimento é a base do bom desempenho profissional. Entretanto, a prática também deve ser buscada, mesmo em atividades que, às vezes, são injustamente desvalorizadas e consideradas informais, como estágios não remunerados, participação em empresas juniores, trabalhos voluntários realizados com responsabilidade na área de formação. As situações de desenvolvimento profissional propiciadas por estes contextos possibilitam que a pessoa apresente soluções para demandas do dia a dia, proponha e enfrente tarefas novas e desafiadoras, tenha oportunidades de exercitar a sua criatividade, participe de equipes ousadas e conviva com colegas inspiradores, aprendendo com eles. Estas interações influenciam muito o desenvolvimento da uma carreira, mas o sucesso e o crescimento profissional serão determinados pela sua humildade e vontade de aprender. 
Então, não se acomode, pois iniciativa e dedicação fazem toda a diferença! Para aprender e se tornar mais competente, candidate-se a projetos especiais e inovadores, participe de grupos multidisciplinares, desarme-se de preconceitos (procure aprender com maneiras de pensar diferentes da sua), tenha coragem de perguntar e tirar dúvidas (revelar que se desconhece algo é uma grande qualidade) e o mais importante: seja comprometido com o trabalho e dê o seu melhor, sempre, fazendo bem feito tudo aquilo a que você se propõe.


Como a possibilidade de algo não dar tão certo quanto o planejado faz parte de todo processo, erros podem ocorrer e, se isso acontecer com você, assuma a sua responsabilidade (não bastasse esta ser a atitude mais ética, seria desastroso se percebessem que além de ter agido errado, você foi omisso). Apesar de poder ter consequências negativas, um erro também oferece boas chances de aprendizagem e contribui para torná-lo mais competente, se você souber analisar os motivos que o levaram a falhar e encontrar meios de minimizar os efeitos ruins. Não é possível criar nada sem experimentar antes e, nas ocasiões em que o sucesso não acontece na primeira tentativa, o erro revela uma alternativa para o melhor modo de agir na próxima oportunidade. Quanto à sua frustração, contorne-a dando atenção e energia para outras tarefas e colocando os possíveis comentários ruins em último plano. Um erro só será uma tragédia se você não tirar uma lição do ocorrido nem se desenvolver a partir disso e, como se sabe, a atitude de querer crescer só depende de você!

Tenha em mente que, como praticamente tudo na vida, as competências de um profissional estão em contínuo desenvolvimento, em especial, naqueles que encontram ou criam oportunidades para tal. Portanto, aja de acordo com princípios éticos, interaja com as pessoas, saiba lidar com as opiniões distintas da sua e esteja sempre disponível para mostrar o que sabe e aprender o que ainda ignora. O mercado de trabalho atual está muito receptivo para pessoas empenhadas, com bom relacionamento interpessoal e que sabem usar a “chave” da maneira correta, ou seja, são muito competentes naquilo que fazem.

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* Joelma Cristina Santos é psicóloga e mestranda em Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), possui artigos acadêmicos publicados e atua na área de Gestão de Pessoas. Contato pelo e-mail: joelma.psicologia@yahoo.com.br.

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