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Startups: Empreendedorismo criativo e inovador

Por Lucas Margotti



O Empreendedorismo tem sido um elemento fundamental para o desenvolvimento econômico no cenário atual. Ele é diretamente responsável por grande parte da produção de riqueza da nação e pela geração de oportunidades. De fato, a abertura de um negócio é um desafio para os empreendedores e exige planejamento, organização, dedicação, persistência, inovação e capital. Atualmente existem diversos modelos de negócios atuantes no mercado, desde os mais tradicionais até os mais inovadores. Para conclusão da pós-graduação MBA (Master in Business Administration) em Controladoria e Finanças, desenvolvi uma pesquisa sobre as Startups, com foco na utilização da Análise de Viabilidade Econômica de Projetos, em paralelo com outras ferramentas de análise como o Business Model Canvas, Plano de Negócio, Lean Startup, além de outras variáveis. Apesar de ter sido apenas o objetivo de estudo em geral, foi possível identificar fatores essenciais para o sucesso das Startups, além de características que fortalecem a importância da formação desses empreendimentos para a sociedade. (Visualizar pesquisa)

As Startups têm sido um dos modelos de negócio em destaque no Brasil e apresentam características essenciais para um estudo aprofundado de viabilidade econômica, partindo do pressuposto desses modelo de negócio como um projeto. "São empreendimentos que buscam explorar produtos e serviços a partir de modelos de negócio inovadores a partir de um período de experimentação" (SEBRAE, 2012). Assim, a possibilidade de sucesso do empreendimento passa a depender de diversas variáveis determinadas durante o processo de experimentação. De acordo com Ries (2012) apud Carvalho et al (2015), as formas tradicionais de gestão das empresas comuns não funcionam com startups em decorrência de estas operarem com um alto grau de incerteza. Para Ries (2012, p. 37), “uma startup é uma instituição humana projetada para criar um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza”.

De acordo com a definição estabelecida pelo Sebrae (2015), Startup é um grupo de pessoas iniciando uma empresa, trabalhando com uma ideia diferente, escalável e em condições de extrema incerteza. Sua concepção foi originada durante a bolha da internet nos Estados Unidos entre 1996 e 2001 e eram utilizados para empresas virtuais. Era um conceito utilizado para um grupo de pessoas trabalhando com um projeto inovador ou diferente do convencional que aparentemente, poderia fazer dinheiro. Entretanto, a atual definição mais aceita por especialistas e investidores é que uma Startup é um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza (SEBRAE, 2015).


O empreendedorismo Startup passou a ser conhecimento no país e executados por empreendedores brasileiros somente nos anos 1999 a 2001, quando surgiu a bolha da internet. Difere-se do empreendedorismo corporativo pelo fato das Startups serem negócios recém-criados e em fase de desenvolvimento e pesquisa de mercado. Além disso, a autora defende que são empreendimentos com baixos custos iniciais, porém, apresenta um alto nível de risco. Sua estrutura é baseada na premissa de estratégias e cultura organizacional distintas e diferentes das demais. “Este tipo de empreendedorismo caracteriza-se pela criação de riqueza; procura de investimento junto a capitalistas de risco (Business Angels); cria estratégias e culturas organizacionais; não segue regras; atua no horizonte de curto prazo; e possui passos rápidos - caos controlado” (FERRÃO, 2013, p.13).



O fator determinante para o desenvolvimento e competitividade das empresas é a forma como as mesmas buscam a inovação. Inovação está diretamente ligada com a produtividade e tende a ser um fator determinante para garantir melhores vantagens competitivas em relação aos concorrentes. Apesar de a inovação ser determinante para o negócio, o fato de a ideia ser considerada inovadora somente pode ser real a partir do momento que ela consegue agregar valor de mercado e se tornar comercial. De fato, os modelos de negócio devem demonstrar como uma organização cria, entrega e captura valor. É importante que sejam realizadas inovações no modelo de negócio a fim de encontrar a melhor forma de capturar esse valor.

Quando se trata de empresas em estágio inicial, foi observado a partir de um estudo realizado por Davidsson & Gordon (2012) que esse modelo de negócio é dificilmente afetado por crises, tendo em vista que utilizam crise como um experimento e descobrem que negócios em fase de pré-operação na verdade não sofrem com colapso econômico, embora empreendedores reajustem imediatamente suas expectativas, pretensões e comportamentos após uma séria retração econômica. De fato, um dos motivos que as Startups não são diretamente afetadas consiste no fato que as mesmas não estão integradas ao sistema financeiro global, sendo aparentemente orientadas para ambiente de negócios relativamente restrito e imediatista. Tal fato possibilita o ajustamento contínuo do projeto de acordo com a realidade econômica no ambiente inserido. 

Hartmann (2013) apontou em seu estudo o perfil dos empreendedores nas empresas startups. Os resultados mostraram que o perfil pode ser definido como: gênero masculino (89,5%), faixa etária entre 20 e 29 anos (84,2%), nível de escolaridade como superior completo (57,9%) e possuem, além da startup, outra empresa que não seja startup (52,8%). Assim, o autor identificou que os empresários de startups já possuem familiaridade com o empreendedorismo e enxergam na nova tendência de empresas startups a possibilidade de construir a própria carreira abrindo seu próprio negócio depois que conclui sua graduação.

As Startups são de fato um modelo de negócio inovador e, devido a esse fato, tem atraído diversos estudos a partir de perspectivas diferentes. Alguns autores buscaram analisar o significado prático do empreendedorismo Startup a partir do pensamento de inovação Shumpeteriano, baseado na premissa que o empreendedorismo é constituído por pessoas que fazem a diferença, realizam e fazem acontecer. A partir da utilização de uma startup como modelo, eles apresentaram que o empreendedorismo startup já é uma realidade no atual desenvolvimento do cenário econômico do Brasil, mesmo sendo um modelo de negócio inovador. Tendo como objetivo a análise sobre como as empresas tecnológicas inovadoras podem se tornar atrativas aos Investidores-anjos, os atores mostraram que a startup em questão, mesmo em fase inicial de operação, já apresentava um alinhamento com o espírito empreendedor necessário aos empresários de hoje e que, de fato, já apresentava os requisitos necessários para atração de investimentos.

Uma das grandes dificuldades para o desenvolvimento de uma startup tem sido sua dependência por investimentos externos para financiar suas atividades. E como o retorno do investimento apresenta longo prazo de retorno do capital e risco relativamente alto, a dificuldade para encontrar investidores tem sido cada vez maior para esse modelo de negócio. De fato, decisões de investimento devem ser tomadas com base em informações cuidadosamente analisadas.


Existem diferentes formas de investimento para financiar o projeto de uma startup. De fato, tais investimentos levam em consideração as ideias, a forma de entrega do produto ou serviço ao mercado e, principalmente, a rentabilidade projetada. Nem sempre os empreendedores conseguem capital suficiente para tornar o negócio viável e buscam alternativas para alcançar os objetivos estabelecidos. Assim, segundo Sebrae (2012), as formas mais comum de financiamento de uma Startup são:
  • Capital próprio: Forma mais básica de financiamento que um empreendedor inicia seu projeto.
  • Investidor-anjo: Financiamento realizado por um ou mais investidores. Normalmente, são profissionais experientes, bem-sucedidos, capitalizados e dispostos a participar da criação da startup. Além de capital, investem orientação, networking, coaching e dedicação, atuando como um sócio.
  • Capital Semente: Iniciativa existente no Brasil para financiar as atividades de uma startup em sua fase inicial, investimento o necessário para que a mesma entre em funcionamento.
  • Venture Capital: Aplicação de recursos pelas empresas de Venture Capital em startups que já tenham testado suas ideias e produtos e que tenham atingido o estágio necessário para crescimento. Para esse estágio, o volume de investimento costuma superar R$ 1 milhão no formato de sociedade.
  • Estágio Avançado: A partir do crescimento obtido a partir de investimentos de Ventures Capital, as startups podem receber um tipos ainda mais sofisticado e volumoso de investimento conhecido como “Private Equity”, formado geralmente por empresas e holdings, e são utilizados para grandes expansões. Nesse segmento, há a possibilidade de que a empresa ofereça ações em Bolsas de Valores.
  • Investimento Coletivo (Crowdfunding): Sites em que as pessoas e organizações submetem seus projetos para conseguir doações. Nesta modalidade, constam diversos tipos de empreendimentos criativos, não somente empresas.
  • Subvenções, Editais e Bolsas: Existem incentivos para investimentos em startups. Tais subvenções podem ser a partir de incentivos fiscais (isenção de impostos); fornecimento de bolsas ou abertura de editais de financiamento.

Apesar do atual cenário econômico no Brasil, os investimentos em startups no Brasil permanecem constantes em 2015. Segundo os dados do primeiro semestre de 2015 publicados relatório Investment Report Brazil, divulgado pela Fundacity, mais de 170 milhões de Reais já foram investidos em 183 Startups brasileiras. Tal estudo tem o objetivo de apresentar os indicadores relacionados às Startups nacionais, especialmente no que diz respeito à aceleração do crescimento e apoio a partir de investimentos. De fato, cerca de 80,6% dos investimentos em Startups vem a partir de capital privado. O restante do percentual está relacionado a incentivos governamentais a partir de investimentos, divididos em participação parcial (17,9%) e participação exclusiva (1,5%). 

As Startups necessitam de formas de financiamento apropriadas para cada um dos seus estágios de desenvolvimento. Em estágios iniciais de um negócio, investimentos chamados “seed” são essenciais. Esse tipo de investimento é normalmente promovido por entidades públicas e “aceleradoras”, e correspondem 5 a 10% de participação, com a expectativa de auxiliar os empreendedores a alcançar o próximo estágio de desenvolvimento e os preparar para receber novos investimentos de iniciativas privadas. Somente no primeiro semestre de 2015, investimentos “seed’ a partir de aceleradoras auxiliaram 113 Startups brasileiras. Já no estágio de expansão, investimentos a partir de “investidores-anjos” e “venture capital” são utilizados como pontes para as empresas conseguirem entrar nos seus respectivos mercados de capitais (FUNDACITY, 2015). No Brasil, esse tipo de investimento tem aumentado nos últimos anos devido ao aumento da “qualidade” das Startups que estão em parceria com as aceleradoras brasileiras, alcançando posições de destaque em toda a America Latina. 

De fato, a expectativa é que os investimentos em Startups no Brasil tenda a apresentar uma desaceleração em resposta à recessão econômica nacional, que tem aumentado o nível de insegurança e incerteza do mercado, além do aumento recente da taxa de juros, que elevou o custo de capital e reduziu o nível de investidores privados. Além disso, é evidente a importância do apoio governamental de forma contínuo para fomentar ainda mais a atividade de investimentos em Startups (FUNDACITY, 2015). 

No trabalho oficial foi investigado a forma como as Startups têm utilizado a Análise de Viabilidade Econômica de Projetos, de modo a identificar quais os indicadores e metodologias de análise que tem sido desenvolvidos para avaliar os projetos, propor investimento e se posicionar no mercado. O objetivo consistiu na análise sobre a utilização da Análise de Viabilidade Econômica de Projetos em relação a outras metodologias, com base nas respostas obtidas através do formulário eletrônico enviado para os fundadores e administradores das Startups do estudo. 

REFERÊNCIAS*
  • ENDEAVOR. Uma crise financeira afeta as startups?, 2015. Disponível em: <http://endeavor.org.br/crise-financeira/>. Acessado em 12 de Outubro de 2015.
  • FERRÃO, S. Empreendedorismo e Empresas Startup: Uma nova visão estratégica como motor de empregabilidade jovem. Boletim de Sociologia Militar nº 4. Lisboa, 2013.
  • FUNDACITY. Investment Report Brazil 2015. Disponível em: <http://www.fundacity.com/investment-report-brazil-2015>. Acessado em 15 de Outubro de 2015.
  • GITAHY, Yuri. O que é uma startup?. Empreendedor Online – Empreendedorismo na Internet e negócios online, 2011. Disponível em: <http://www.empreendedoronline.net.br/o-que-e-uma-startup/>. Acessado em 12 de Outubro de 2015.
  • HARTMANN, V. H. P. Startup: Uma nova forma de empreender. Brasilia, 2013.
  • RIES, Eric. A startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. São Paulo: Lua de Papel, 2012.
  • SEBRAE. Como obter financiamento para sua startup. Brasília – DF, 2012. Disponível em: <http://www.uniempre.org.br/user-files/files/Cartilha%20Startup.pdf> Acesso em 14 de Outubro de 2015.
  • SEBRAE, O que é uma Startup? 2015. Disponível em <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/sebraeaz/O-que-%C3%A9-uma-startup%3F>. Acessado em 12 de Outubro de 2015.
*Correspondem apenas às referências utilizadas nesta publicação. Demais referências poderão ser encontradas no trabalho original. 

"ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONÔMICA DE PROJETOS: UM ESTUDO SOBRE SUA UTILIZAÇÃO NAS STARTUPS BRASILEIRAS"

Autor: Lucas V. Margotti
Orientador: Prof. Msc. Saulo Cardoso Maia

MBA em Controladoria e Finanças
Programa de Pós-graduação em Administração
Universidade Federal de São João Del Rei - UFSJ

Um comentário:

  1. Oi Lucas,
    Os dados apresentados em sua pesquisa são extremamente relevantes para nos compreendermos enquanto empreendedores de startups e para situar as condições de efetividade das startups no Brasil. Parabéns pela pesquisa! Sucesso!

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